55) Informações sobre a DENGUE

• Dengue - homônimo espanhol da expressão “ki denga pepo”, usada pelos nativos da região do Caribe e que significa “cãibra súbita causada por espíritos maus". Outras origens: do árabe arcaico, surgida em 1926, e que significa fraqueza (Siler); epidemia em 1870 em Zanzibar na África, expressão “ki denga pepo”, que significa “pancada ou golpe por um mau espírito” (Halstead)

• Sinonímia - febre “quebra ossos”

• Característica - Doença infecciosa febril aguda epidêmica de etiologia viral, de curso benigno ou grave, com epidemias explosivas nos países tropicais

• Epidemiologia - Primeiros registros da doença no século XVIII no sudeste asiático, África e Américas. No Brasil, primeiros relatos em 1846. Evolui em surtos epidêmicos com cerca de 100 milhões de casos anuais no mundo

• Agente etiológico - arbovírus da família Flaviviridae, gênero Flavivirus com 4 sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3, DEN-4

• Sorotipos circulantes no Brasil – DEN-1 e 4 (Boa vista-81-82); DEN-1 (R.J.-86-87); DEN-2 (R.J.-90) e DEN-3 a partir de 2001. Relatos de DEN-4 em PE

• Sorologia positiva (IgM) a partir do 5º dia de doença em 80% dos casos, e entre 6º e 9º dia em 99% dos casos. IgG surge entre 5º e 7º dia do início dos sintomas

• Vetor – mosquito Aedes aegypti – apenas a fêmea é hematófaga e transmissora, após o 30º dia de vida (ciclo de vida – 6 a 8 semanas). Hábitos diurnos, principalmente no começo da manhã e à tarde

• Período de Incubação – 2 a 15 dias (média – 5-6 dias)

• Período de transmissibilidade homem  mosquito – desde 1 dia antes da febre, até 6-9 dias após início dos sintomas

• Suscetibilidade e Morbidade – universal, mas 40% das infecções são assintomáticas

• Imunidade – específica e permanente para cada sorotipo (homóloga) e imunidade cruzada parcial e temporária entre os sorotipos (heteróloga). Quanto menor o tempo entre as infecções, maior o risco de manifestações hemorrágicas.

• Diagnóstico diferencial:
• Sarampo, Rubéola, Escarlatina (DC)
• Malária, Febre Amarela, Leptospirose, Hepatites e Meningite meningocócica (nos casos hemorrágicos)

• Formas Clínicas:
• a) DENGUE CLÁSSICA (DC)
• b) DC com manifestações hemorrágicas
• c) FEBRE HEMORRÁGICA DA DENGUE (FHD)
• d) SÍNDROME DO CHOQUE DA DENGUE (SCD)
• 90% dos casos de FHD/SCD ocorrem em pacientes com infecção por um segundo sorotipo; 2 a 10% dos pacientes com segunda infecção desenvolvem FHD/SCD

• Letalidade de 40-50% nos casos de FHD/SCD tratados inadequadamente

• Manifestações Clínicas (DC):
• 90% dos pacientes apresentam febre geralmente alta, de início abrupto, durando cerca de 7 dias
• 25% apresentam exantema máculo-papuloso, na maioria das vezes com prurido (a partir do 2º dia de febre), que surge de uma vez e sem uniformidade
• 50% apresentam prostração intensa
• 60-80% apresentam artralgia e mialgia
• 60% apresentam cefaléia
• 50% apresentam dor retro-orbitária
• Nas crianças a dor abdominal é muito comum

• Classificação da Febre Hemorrágica da Dengue (OMS):
• Grau 1 - febre acompanhada de sintomas inespecíficos, em que a única manifestação hemorrágica é a prova do laço positiva.
• Grau 2 - além das manifestações constantes do grau 1, somam-se hemorragias espontâneas leves (sangramento de pele, epistaxe, gengivorragia e outros).
• Grau 3 – colapso circulatório com pulso fraco e rápido, estreitamento da pressão arterial ou hipotensão, pele pegajosa e fria, e inquietação.
• Grau 4 – choque profundo com ausência da pressão arterial e pressão de pulso imperceptível.
• Devido ser um processo dinâmico, o paciente poderá ser classificado em um estágio e evoluir, posteriormente, para outro.

• Sinais de Alerta de risco de desenvolver Síndrome do Choque da Dengue:
• dor abdominal intensa e contínua;
• vômitos persistentes;
• hepatomegalia dolorosa;
• derrames cavitários;
• sangramentos (não necessariamente) importantes;
• hipotensão arterial (PS<80 em crianças e <90 em adultos);
• diminuição da pressão diferencial (<20 mmHg);
• hipotensão postural;
• agitação e letargia;
• pulso rápido e fraco;
• extremidades frias;
• cianose;
• diminuição brusca da temperatura corpórea associada à sudorese profusa, taquicardia e lipotímia
• aumento do hematócrito (com variação de 20%)

• Complicações - ocorrem habitualmente:
• Alta virulência de determinadas cepas, principalmente do sorotipo DEN-2
• Após cessar o estado febril – o período crítico é a fase de transição quando termina a febre
• Quando a febre dura pouco tempo (2-3 dias), pode ocorrer um recrudescimento da doença
• Quando ocorrem duas infecções sequenciais (de sorogrupos diferentes) no intervalo de 3 meses a 5 anos
• Pacientes hiperérgicos, reumáticos, diabéticos, cardiopatas, imunodeprimidos entre outros.

• Profilaxia e Tratamento – não existe vacina e não existe tratamento específico. Contra-indicação de AAS


Diferenças entre CULEX e AEDES

CULEX
Faz barulho
Pica à noite
Fêmea coloca os ovos em água parada e suja.
Em São Paulo não se constitui vetor de doença: Malária
Criadouros: remansos de córregos, rios, recipientes, água suja, piscinas não tratadas.
A água é necessária para algumas fases de sua reprodução

AEDES
É silencioso.
Pica durante o dia
Fêmea coloca os ovos em água limpa
Somente a fêmea é hematófaga
Pode transmitir doenças como DENGUE e Febre Amarela
Criadouros: latas, pneus, pratos de vasos, caixas d´água, garrafas, plantas aquáticas etc.
A água é necessária para algumas fases de sua reprodução.

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Texto redigido, em 2002, pela Dra. Célia Regina Barollo ( crbarollo@ajato.com.br )
Médica Especialista em Homeopatia pela AMHB (Associação Médica Homeopática Brasileira)
Foto do mosquito Aedes aegypti

inserido em 15/05/2007.

 
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